Dani & Tato Renew Their Vowels - Daria Ratliff Photography

O Amor

Um dia, quem sabe,

ela,

que também gostava de bichos,

apareça numa alameda do zôo,

sorridente,

tal como agora está no retrato sobre a mesa.

Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la.

Vosso Trigésimo Século ultrapassará o enxame de mil nadas, que dilaceravam o coração.

Então, de todo amor não terminado, seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.

Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano!

Ressuscita-me, nem que seja só por isso!

Ressuscita-me!

Quero viver até o fim o que me cabe!

Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários.

Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro.

Para que o dia, que o sofrimento degrada, não vos seja chorado, mendigado.

E que, ao primeiro apelo: - Camaradas! Atenta se volte a terra inteira.

Para viver livre dos nichos das casas.

Para que doravante a família seja o pai, pelo menos o Universo, a mãe, pelo menos a Terra.

--Vladimir Maiakovski (1893-1930)


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Dani_Tato_Sohpia_Gigi_no_matinho-61

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